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Policial

Nando é novamente pronunciado e juiz pede laudo de insanidade

O juiz Aluízio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, instaurou o exame de insanidade mental de Nando, solicitando perícia técnica

Correio do Estado

20 de Novembro de 2017 - 14:21

Líder do grupo de extermínio ligado a pelo menos 14 execuções no Bairro Danúbio, em Campo Grande, Luiz Alves Martins Filho, o Nando, foi pronunciado por mais uma morte, pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. Ele e os comparsas Michel Henrique Vilela Vieira e Jean Marlon Dias Domingues são acusados de matar, em abril do ano passado, um homem identificado apenas como Neguinho ou Café. A Justiça também solicitou laudo de insanidade mental de Nando.

De acordo com denúncia do Promotor de Justiça Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos, Nando, Jean e Michel estrangularam Café com uma corda e depois o furaram com faca e chave de fenda. O crime foi motivado porque a vítima devia dinheiro a Nando, relacionado com o tráfico de drogas, e também porque havia jogado cerveja e dado um tapa em Jean. 

Após o crime qualificado por motivo fútil e emboscada, eles enterram o corpo no cemitério clandestino do Jardim Veraneio (ocultação de cadáver), onde estavam mais vítimas.

O juiz Aluízio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, instaurou o exame de insanidade mental de Nando, solicitando perícia técnica que será anexada a outros procedimentos no mesmo âmbito e que já vinham sendo realizados, mas que ainda não estavam concluídos.

Entre as medidas estão à intimação de psicólogos e psiquiatras para novos exames que possam esclarecer se o réu sofre de transtorno, bem como definir sua personalidade. A polícia, de modo informal, alegava que se comportava como psicopata.

Conforme apurado, Nando responde processos individuais para cada homicídio, juntamente com outras pessoas que o ajudaram. Ele esta prestes a ser julgado, por exemplo, por matar o adolescente Lessandro Valdonado de Souza, de 13 anos.

Também foi denunciado no caso de Daniel de Oliveira Barros. No geral, ele fornecia drogas às vítimas e, quando elas cometiam algum delito para sustentar o vício, as matava - não é o caso de Lessandro, que morreu por flagrar a cunhada, Talita Regina de Souza, amiga de Nando, traindo o irmão com o rival.

PRESOS

Nando tinha ajuda também de Michel Henrique Vilela Vieira, 21 anos, Ariane de Souza Gonçalves, 19 anos, Wagner Vieira Garcia, 24 anos, e Claudinei Augusto Orneles Fernandes, 24 anos. O grupo foi desarticulado em novembro do ano passado, durante investigações da Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios (DEH) e Delegacia de Atendimento à Infância e à Juventude (Deaij).

Durante operação também foram presos Andréia Conceição Pereira, Diego Vieira Martins, Rudy Pereira da Silva, Jeová Ferreira Lima, Jeová Ferreira Lima Filho, a mãe e o irmão de Wagner, bem como outras quatro pessoas que não tiveram as identidades divulgadas e respondem em liberdade por ligação com o tráfico de drogas e exploração sexual de menores. 

ESQUEMA

Sádico com fixação por orgias e por contemplação das covas, Nando coordenava esquema de tráfico de drogas que fomentava o consumo e outros delitos correlatos no bairro Danúbio Azul. Trocando entorpecente por sexo, abusava de adolescentes que faziam qualquer coisa para alimentar o vício. Por isso, os convidava para encontros sexuais e trocas de casais com Ariane a Talita, assim como com Jean e Wagner, sendo estes amantes homossexuais de Nando. 

Eventualmente, tais usuários cometiam pequenos furtos, fazendo com que Nando decidisse matá-los. Ele se sentia justiceiro a serviço da comunidade, acabando com a vida daqueles que considerava “bandidos”.
As mulheres atraíam as vítimas até o local no Jardim Veraneio, e elas iam sem hesitar, pois já estavam condicionadas aos encontros. Porém, quando chegavam lá, eram mortas.

O padrão adotado por ele e passado para os comparsas se baseava no homicídio por enforcamento com corda ou estrangulamento com as mãos, pois não gostava de ver sangue. Em seguida, enterrava os corpos de cabeça para baixo no Jardim Veraneio, pois desta maneira facilitava a escavação das covas. Depois, passava quase que diariamente pelo local, para observar os pontos de sepultamento.

VÍTIMAS

Por enquanto, foram confirmadas como vítimas além de Lessandro, Jhennifer Lima da Silva, 13 anos, um homem identificado apenas como Alemão, Flávio Soares Correia, 25 anos, Bruno Santos da Silva, o Bruninho, 18 anos, Alex da Silva Santos, 18 anos, Eduardo Dias Limas, 15 anos, Aline Farias da Silva, 22 anos, Jhennifer Luana Lopes, 16 anos, Valdelei Almeida Junior, 20 anos, vítima de tentativa de homicídio, Daniel de Oliveira Barros, 28 anos, Aparecida Adriana da Costa, 33 anos, Daniel Gomes de Souza, 17 anos, Café e uma mulher conhecida como Ana.