SIDROLÂNDIA- MS
Casas queimadas, imóveis destruídos e sinais de depredação revelam cenário de devastação em fazenda
A Perícia Criminal realizou os primeiros levantamentos no local, enquanto a Polícia Civil iniciou os procedimentos para apurar as circunstâncias dos fatos.
Redação/Região News
14 de Junho de 2026 - 16:27

As forças de segurança que se deslocaram neste domingo (14) para a Fazenda São Sebastião, propriedade vizinha à Terra Indígena Buriti, em Sidrolândia, encontraram imóveis danificados, estruturas incendiadas e diversos sinais de depredação. A Perícia Criminal realizou os primeiros levantamentos no local, enquanto a Polícia Civil iniciou os procedimentos para apurar as circunstâncias dos fatos e identificar os responsáveis pelos prejuízos relatados.
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A desocupação da propriedade ocorreu após mediação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Segundo informações do Ministério dos Povos Indígenas, os indígenas deixaram a fazenda ainda neste domingo. A área havia sido ocupada na tarde de sábado (13) por indígenas da etnia Terena.
Conforme lideranças do território Buriti, a retomada foi motivada pela falta de avanços no processo de demarcação da área, que permanece sem conclusão definitiva há mais de uma década.''
Vídeos registrados no local mostram casas incendiadas, móveis destruídos, utensílios espalhados pelos cômodos e equipamentos danificados. O material passou a integrar o conjunto de informações que deverão ser analisadas pelas autoridades durante a investigação.
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Em nota divulgada durante a mobilização, os Terena afirmaram que a Fazenda São Sebastião da Serra está sobreposta à Terra Indígena Buriti, território reconhecido pelo Estado brasileiro por meio da Portaria Declaratória nº 1.155 da Funai, publicada em 2001. Segundo as lideranças indígenas, cerca de um terço dos 17,2 mil hectares da área demarcada ainda permanece sob posse de particulares.
Os indígenas também denunciaram a circulação de informações falsas nas redes sociais, alegando que perfis estariam difundindo conteúdos para incentivar uma retirada forçada da ocupação. Entre as informações contestadas pelos Terena estava a alegação de que mulheres e crianças seriam mantidas reféns na propriedade.
O conflito na região remete a episódios de violência registrados em 2013. Naquele ano, o indígena Oziel Gabriel Terena foi baleado nas costas nas proximidades da Fazenda São Sebastião da Serra e ficou tetraplégico. Dias antes, durante uma operação de reintegração de posse na Fazenda Buriti, o indígena Oziel Gabriel Terena morreu após ser atingido por um disparo de arma de fogo. Investigação do Ministério Público Federal concluiu que o tiro partiu das forças policiais que atuavam na ação.
Mesmo após os episódios, o processo de demarcação da Terra Indígena Buriti continuou sendo alvo de disputas judiciais. Laudos antropológicos e perícias produzidas ao longo dos anos reafirmaram a ocupação tradicional da área pelo povo Terena.
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Enquanto a Polícia Civil apura os danos constatados na Fazenda São Sebastião, o impasse fundiário envolvendo a Terra Indígena Buriti segue sem solução definitiva, mantendo o clima de tensão entre indígenas e produtores rurais na região de Sidrolândia.




